sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Locomotiva 58 está na cidade há 10 anos, mas distante do público


Sob um telhado que se degrada, guardada por um vigilante e dois cachorros, permanece parada e distante dos olhares da população um dos principais símbolos da história de Sorocaba: Maria do Carmo, como é popularmente chamada a Locomotiva 58. A maria-fumaça chegou à cidade 10 anos atrás, após uma batalha judicial entre a Prefeitura de Sorocaba, o Ministério Público e a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), e seu destino e conservação ainda geram divergências. A ABPF havia restaurado a locomotiva assim que chegou a Campinas, em 2002, e seguia fazendo as manutenções na máquina. Em Sorocaba, a locomotiva 58 apareceu para o público pela última vez em 2012. Desde aquele ano, está na Estação Paula Souza, sem manutenção. Para que a maria-fumaça volte a ser exposta ao público, a administração municipal espera receber a área, que pertence ao Grupo Votorantim. No local, criaria um museu sobre a ferrovia sorocabana.
Para a volta da locomotiva 58, a Prefeitura de Sorocaba se comprometeu em manter a máquina em manutenção e funcionamento. De acordo com um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre as partes envolvidas no processo, a cidade poderia voltar a perder a maria-fumaça caso não executasse o que era previsto. A intenção do poder executivo era criar um museu da ferrovia, algo que ainda está nos planos.
“Na decisão, eles diziam que iam cuidar da locomotiva. Eu fui curto e grosso na época: a prefeitura não tem condições de cuidar disso, pois mal consegue cuidar do que tem de fazer”, ressalta Hélio Gazetta Filho, diretor da regional Campinas da ABPF. Segundo ele, quando estava no pátio da associação, em Campinas, Maria do Carmo era posta em funcionamento e aparecia para o público. A manutenção na máquina era feita por mecânicos especializados da ABPF, acrescenta ainda.
De acordo com a prefeitura, há um projeto com proposta de parceria com uma Associação Preservacionista, visando a manutenção periódica da maria-fumaça. Atualmente, segundo o executivo, a proposta está sendo analisada juridicamente para que seja verificada sua viabilidade de execução e a possibilidade de uma parceria. “Inclusive, a Associação, proponente do projeto de manutenção e preservação, já realizou laudos iniciais que deverão ser aprofundados, assim que for firmada a parceria”, informou. A última empresa que fez manutenção na 58, a LP Assessoria Industrial e Restaurações Ltda, teve o contrato com a prefeitura encerrado em 14 de dezembro de 2012.
Museu da ferrovia
Está nos planos da Prefeitura de Sorocaba, desde 2006, a criação de um museu sobre a ferrovia sorocabana, onde atualmente está a locomotiva 58, a Estação Paula Souza. A área pertence à Votorantim Cimentos e a administração municipal afirma estar em tratativas com a empresa para obter a área como doação. “Caso a doação seja viabilizada, um dos objetivos seria utilizar a área da Estação Paula Souza para criar um museu da ferrovia – mais um espaço voltado para preservar a história da cidade – utilizando os vagões e a locomotiva.” O trabalho seria viabilizado com uma ONG de Sorocaba, conclui o executivo.
Segundo a Prefeitura, até o momento, o público não tem acesso à locomotiva 58 porque não há um projeto contextualizador, pedagógico e museológico em torno dela. “Ela está apenas garageada na Estação Paula Souza”, informa. “No entanto, há um projeto em andamento entre algumas secretarias da Prefeitura de Sorocaba que estuda a possibilidade de implantação de atividades, que permitirá o acesso da população.”
Em nota, a Votorantim Cimentos informou que está aguardando a conclusão dos estudos de topográficos das áreas da Estação Paula Souza e do trecho da linha férrea, até o limite de Votorantim, que estão sendo elaborados pela Prefeitura de Sorocaba. Conforme a empresa, “tão logo receba (o estudo), irá levar o pedido de doação das áreas à Diretoria e Conselho de Administração”.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul 24/04/16 | Anderson Oliveira